O homem, sua vida e seu destino

Carlos Bernardo González Pecotche

Deus nos deu um ser dotado de todas as condições para que façamos dele uma obra mestra, graças ao constante aperfeiçoamento dessas condições; aperfeiçoamento cuja obtenção requer o auxílio de conhecimentos que conduzam a inteligência ao descobrimento de cada uma das facetas desse maravilhoso diamante interno que todos possuímos, e que só brilha quando o polimos.
Essa joia da natureza humana se encontra nas próprias entranhas do ser, coberta e recoberta por camadas protetoras, à semelhança do mineral que se transforma em pedra preciosa, o único que não pode ser lapidado senão com o próprio pó; o mais límpido de todos, que não pode ser riscado por nenhum corpo, e cujas arestas cortam o cristal sem quebrá-lo.
Não se trata, pois, de realizar uma simples viagem de exploração dentro de si mesmo, sem outro preparo que a audácia pessoal, porque se extraviaria no caminho após pouco andar. É imprescindível estudar previamente a topografia do campo psicológico individual. A Logosofia assinala suas partes mais acidentadas e mostra as passagens difíceis, proporcionando elementos para transpô-las com êxito.
É essencial que o homem saiba que é um acumulador de energias, tal como o prova sua constituição física, mental e psicológica, e que pode servir-se delas na aplicação de seus esforços no próprio aperfeiçoamento.
A Logosofia ensina a concentrar essas energias, destinadas a fortalecer o espírito e a promover o ressurgimento do ser consciente em esferas superiores de evolução. O contrário do que faz a maioria, que só acumula essa potência dinâmica na medida necessária para viver e vegetar, e, quando excede essa necessidade, gasta as reservas em preocupações ou em diversões de toda índole, que em nada beneficiam o ser íntimo, que clama por existir e governar seu mundo mental-psicológico, em consonância com o grande objetivo de sua existência.
A vida é um espelho onde se reflete o que o ser pensa e faz,
ou o que os pensamentos próprios ou alheios o levam a fazer
Para o comum dos homens, a vida é o espaço compreendido entre o primeiro e o último dia de seu ser físico. Pertence-lhes exclusivamente e podem, portanto, fazer dela o que lhes apraz. Porém, o indivíduo que assim pensa conhece todos os usos que pode fazer dessa grande oportunidade humana? Mais de uma vez já não o vimos deplorar, entristecido, o tempo que sem proveito lhe fugiu com a vida? Já não o vimos insatisfeito e desconforme com a existência que levou? E não tem ele atribuído à má sorte seus padecimentos e infortúnios? Pois bem, que solução lhe foi oferecida para desfrutá-la em seus elevados conteúdos?
Não bastam, pois, nem a prática de princípios nobres e piedosos, nem todas as variações do engenho humano, para viver a vida na plenitude de sua força renovadora e no cumprimento dos elevados objetivos de bem para os quais ela foi instituída. A verdadeira felicidade de viver se encontra quando vão sendo conhecidos os extraordinários recursos que ela contém; isso quer dizer que, ao conhecê-la por dentro, são descobertas suas ignoradas possibilidades e suas luminosas projeções.
Extraído do Livro Mecanismo da Vida Consciente, pág. 48 a 51.

 

 

 

Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br

Magno Malta louva Obama

Julio Severo

A página oficial de Facebook de Magno Malta disseem 12 de janeiro de 2017 sobre Obama: “Um bom exemplo de homem público. Vai deixar saudades. Senador Magno Malta teve a honra de conhecê-lo pessoalmente.”
Deixará saudades? Obama foi um péssimo exemplo de homem público. Ele lutou pelo aborto no mundo inteiro. Trabalhou intensamente para impor a agenda gay nos países mais fracos. Fez tudo ao seu alcance para destruir a família natural de marido e esposa.

É óbvio que Obama se parece com Lula, pois ambos sempre tiveram uma obsessão por causas socialistas como o aborto, a agenda gay, etc.
Manchete do jornal FolhaVitória de 2008 disse: “Magno Malta compara eleição de Obama à de Lula.” Na matéria, Magno disse: “As classes menos favorecidas tiveram esperança.” Na verdade, os menos favorecidos dos menos favorecidos, os bebês em gestação, perderam toda esperança com a eleição do homicida Obama, que tem sangue de milhares de bebês em suas mãos.
Em 2004, eu estava num culto da sede da Comunidade Sara Nossa Terra em Brasília, onde o pregador foi Magno Malta, que passou uma hora exaltando supostas qualidades de Lula, especialmente compaixão pelos pobres. Ora, os pobres são pessoas desprotegidas. O que Lula fez para proteger os mais pobres e indefesos, os bebês em gestação? Onde estava a compaixão dele? No governo de Lula, só vimos compaixão por Fidel Castro e criminosos como um assassino italiano que Lula recusou extraditar para a Itália.

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Compaixão por assassinos não é verdadeira compaixão.
Magno acabou acordando da ilusão de Lula e tratou o caso na realidade do que é: pesadelo socialista. Mas por que agora ele quer fantasiar o caso de Obama, que ele sabe que é igual ao caso de Lula? Amnésia?
Vigie e ore, Magno Malta, para que você pare de se iludir com a tentação do homicida Obama! O pior homicida é que aquele que massacra os mais indefesos e inocentes. Obama é tal homicida.
Além disso, com suas intervenções militares em vários países que acabaram trazendo grande perseguição e mortandade aos cristãos, Obama tem sangue cristão nas mãos. Aliás, ele fundou o ISIS, uma verdadeira máquina de matar cristãos.
Quem louva homicida, seja da ilha de Cuba ou da Casa Branca, não merece a confiança de pessoas que odeiam homicídios.
Fonte: www.juliosevero.com

Medo durante quatro anos

TIVE MEDO DURANTE 4 ANOS. 2/2017

Fui designado para comandar a Polícia Militar de São Paulo, abril 1974. Logo tomei conhecimento de dois problemas gigantescos. O problema de menores e o Presídio do Carandiru. Não eram obrigações nossa, mas no final seria a Polícia Militar que iria resolver.

Logo de saída fui ao Batalhão de Menores. Tomava conta da muralha. Dentro não era de nossa responsabilidade. Tinha lido um livro de uma socióloga paulista onde afirma que as crianças que viviam no tal depósito eram até roídas por ratos. Nunca imaginei que um dia iria confirmar o que foi escrito. Vi com os próprios olhos. Ainda revolta-me quando me recordo do que vi. Foi no governo Paulo Egídio que a coisa melhor e muito. Os dirigentes tinham amor no coração.

O CARANDIRU  era um paiol de pólvora. Lembro-me de uma reunião com o Secretário de Segurança Pública, o juiz das execuções penais e eu presente. O juiz, com toda razão, afirmava que não podia continuar com estava. Ia explodir. Se minha memória não é falha o números eram alarmantes. O CARANDIRU comportava 2.500 presos estava com uma população acima de 7.000. Procurou-se uma solução. O Senhor juiz sugeriu: retirar presos do CARANDIRU e colocar nas delegacias e a Polícia Militar ser responsável pela prisão dos presos. Era criar novas prisões sem condições mínimas. As delegacias já estavam cheias. Terminou-se  a reunião sem solução, pois aleguei que a Polícia Militar indo tomar conta das delegacias a sociedade ficava sem segurança.

Todo dia era um dia e Deus, que é muito Bom para comigo, esperou para eu deixar o comando e permitir a explosão do CARANDIRU. O resultado não poderia ser outro. Imagino, pois lá não estava, mas soube que quando foi aberto o portão os presos jogaram fezes, urina e mil coisas mais a força que recebeu ordem de invadir, era matar ou morrer. Terminou o processo com o voto de um desembargador, dando a razão a força. Morreram mais de 100 e Manaus pouco acima de 60.

Logo que deixei o Comando da PMSP, fui promovido ao Posto de general e continuei a andar pelo Brasil afora. Sempre as cadeias e os menores e sentindo que cada dia passava mais grave os dois problemas.

Um dia, 1988, fui para reserva e lendo e acompanhando o caminhar do meu País sentia que uma dia ia explodir as cadeias públicas. Aconteceu e agora estão atrás dos culpados. Um político, em conversa comigo, disse a VERDADE: “ O PROBLEMA DOS PRESÍDIOS É DE SOLUÇÃO DIFICÍLIMA, pois CONSTRUIR CADEIA NÃO DÁ VOTO”.

TRISTE VERDADE!

PRESIDIO É UM PROBLEMA SOCIAL GRAVÍSSIMO!

A SOLUÇÃO É AS AUTORIDADES SEREM RESPONSÁVEIS! TUDO O MAIS É CONVERSA.

GRUPO GUARARAPES

GENERAL TORRES DE MELO COORDENADOR

10 de jan 2017

 

 

                 

 

ALÔ, BRASÍLIA, QUE VERGONHA!

 Percival Puggina

Em artigo anterior, com o título Cria Cuervos, mostrei como o Brasil foi se tornando um criatório de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil. Os cuervos, afirmei, são criados por quantos chamam bandido de herói e herói de bandido, combatem a polícia, riem da lei, proclamam a morte da instituição familiar, ridicularizam a virtude, aplaudem o vício, enxotam a religião, desautorizam quem educa ou usam a Educação para fazer política, e relativizam o bem e a verdade.

Observe as movimentações para eleição da presidência da Câmara dos Deputados. Quem for escolhido pela maioria de seus pares, além de comandar a Casa e exercer várias outras atribuições importantes, será o substituto eventual do presidente da República. A disputa se trava entre Rodrigo Maia e Jovair Arantes. O primeiro dirigiu aquela sinistra sessão em que – forçando um poquito pero no mucho a expressão – as dez medidas contra a corrupção se transformaram em regras desmedidas a favor dos corruptos. E fez o possível, Rodrigo Maia, para que tudo acontecesse conforme articulado nos bastidores, inclusive o tardio horário em que se desenrolou a escabrosa parte deliberativa da sessão. Do segundo, é dito que representa o centrão, grupo de deputados do baixo clero, cuja principal atividade parlamentar seria usar os votos e o poder do bloco para intercambiar favores que, na maior parte dos casos, não se distinguem de meros negócios. Tudo indica que estamos lidando com títulos de estampado valor de face.

A essas alturas, impõe-se perguntar se não há naquele plenário alguém com estatura para o cargo. É claro que há. E não são poucos, embora não sejam muitos nem em número suficiente, os homens e mulheres que honram seus mandatos e os exercem com integridade, voltados ao bem do país. No entanto, eventuais disposições para concorrer à liderança maior da casa, que entre eles surjam, tropeçam num grande obstáculo. Nesse parlamento dominado por indivíduos de péssimo caráter é muito difícil a uma pessoa de bem articular, ao seu redor, um grupo que viabilize suplantar, em votos, os atuais disputantes. Sei que há iniciativas. Tomara que funcionem. Mas o cenário que desenho é real.

A sociedade que cria corvos é a mesma que os elege. E a experiência já mostrou que, no atual quadro institucional e moral do país, se o Poder Judiciário não afastar do poder os criminosos, não há lei de “fidelidade partidária”, nem da “ficha limpa”, nem projeto das “dez medidas”, nem o que mais ocorra à criatividade nacional, que consiga aprimorar o tipo de representação política da nossa sociedade. Chega a ser ridículo. O Brasil foi levado para essa perdição como um adolescente conduzido por más companhias.

 

Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

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Estilhaçando uma cláusula pétrea

Péricles Capanema – Publicação da agência Boa Imprensa.

“Não serão objetos de deliberação — diz a atual Constituição brasileira, artigo 60, § 4º —, a forma federativa de Estado, o voto secreto, direto, universal e periódico; a separação dos Poderes; os direitos e garantias individuais”. Interdições estas que são chamadas cláusulas pétreas.

Existem cláusulas pétreas fora da Constituição, nos mais variados âmbitos, social, familiar, profissional. Proibições severas, sentidas por todos, têm o efeito de verdadeiros fatwas, cuja violação acarreta graves sanções. Lembrei-me delas enquanto lia o volumoso noticiário relativo ao falecimento do ex-cardeal arcebispo de São Paulo, de Dom Paulo Evaristo Arns, em 14 de dezembro último, aos 95 anos. À maneira de cláusulas pétreas, havia temas que não podiam ser levantados. Vou correr o risco, estilhaçando uma delas…

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Suas exéquias representaram uma consagração raras vezes presenciada no Brasil. Esteve pouco aquém das homenagens prestadas a Tancredo Neves em abril de 1985. Três dias de luto oficial, cerimônias pomposas, elogios e ditirambos de todos os quadrantes. O fumo do incenso proclamava em uníssono: dedicou a vida aos pobres e à defesa dos direitos humanos. Apenas como exemplo, os preitos manifestados pelos três últimos presidentes.

Michel Temer: “Dom Paulo foi um defensor da liberdade e sempre teve como norte a construção de uma sociedade justa e igualitária. O Brasil perde um defensor da liberdade e ganha […] um personagem que deixa lições para serem lembradas eternamente”.

Dilma Rousseff: “Grande líder progressista, incansável na defesa dos direitos humanos e da liberdade […] símbolo da luta pela democracia. O Brasil perde um defensor dos pobres. […] Descanse em paz, amigo do povo”.

Dom Paulo Evaristo Arns colocando o boné do MSTLula [na foto no funeral de Dom Arns]: “O mundo perde um vulto gigante na defesa universal dos direitos humanos. […] Franciscano que era, seguiu o exemplo de seu mestre para seguir uma clara opção preferencial pelos oprimidos em sua Igreja da Libertação. Semeou e cultivou Comunidades Eclesiais de Base, revolucionou a formação dos seminários”.

Já não de presidente da República, mas do governador Geraldo Alckmin: Ao longo da vida, ele escolheu a linha de frente para defender os mais fracos e os feridos pela injustiça. Ajudou, assim, a mudar a história do Brasil”.

O tom geral foi esse. Sei que de mortuis nil nisi bonum, dos mortos só se devem dizer coisas boas. Constituem exceção os personagens históricos. Um deles foi Dom Paulo, a mais destacada figura da esquerda católica do Brasil na segunda metade do século XX, corifeu do progressismo litúrgico e do esquerdismo social e político.

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Os jornais relataram ainda, embora em tom menor, os choques então ocorridos entre o antigo cardeal-arcebispo de São Paulo e João Paulo II. O Pontífice polonês conheceu bem os horrores do comunismo e provavelmente acompanhou com fundadas reservas a atuação do antístite paulistano. Foi também noticiado que Dom Paulo seguia orientação oposta à dos dois últimos pontífices, João Paulo II e Bento XVI (1978-2013). Dom Arns chocou-se pública e rumorosamente com o cardeal Ratzinger, quando este, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, apoiado pelo Papa, aplicou sanções ao então frei Leonardo Boff.

Um aspecto da atuação pública de Dom Paulo Evaristo não foi ventilado (procurei nos jornais, não encontrei): o de favorecedor de tiranias. Ocorre que nem sempre quem se ocupa com “direitos humanos”, de fato favorece a liberdade. Pode até ajudar o totalitarismo e infelizmente foi o caso dele.

Dom Paulo Evaristo Arns colocando o boné do MSTA atuação pública de Dom Arns beneficiou os que, por doutrina e em documentos programáticos, apunhalam as liberdades amparadas pelo Direito natural. Bastaria mencionar a promoção das Comunidades Eclesiais de Base — sementeira de boa parte dos quadros mais extremados do PT e de outros partidos de esquerda. Ainda convém o apoio à “Teologia da Libertação”, que buscou em Marx sua base para análise social (e consequentemente sua pregação da luta de classes e da ditadura do proletariado). O que faz hoje no Brasil o MST e a Pastoral da Terra? Não ocultam suas metas coletivistas, encharcadas de tirania, nem escondem seu culto a Fidel Castro, considerado como modelo — entretanto o mais sanguinário e cruel tirano da América Latina. A tal respeito, é penosa a constatação, o MST e a Pastoral da Terra seguem a trilha aberta pelo antigo cardeal-arcebispo.

O “Estado de S. Paulo” de 19 de janeiro de 1989 [recorte ao lado] publicou carta de Dom Paulo a Fidel Castro, na qual o Purpurado afirma: “Queridíssimo Fidel, […] Aproveito a viagem de frei Betto para lhe enviar um abraço e saudar o povo cubano por ocasião deste 30º aniversário da Revolução”. [NB: Não custa lembrar, revolução comunista ateia, que instaurou a miséria pavorosa e ditadura feroz em Cuba]. Nessa ocasião, Dom Paulo, para conseguir elogiar Castro, com particular cuidado esbofeteia a verdade: “O povo de seu País conseguiu resistir às agressões externas para erradicar a miséria. […] Hoje em dia Cuba pode sentir-se orgulhosa de ser […] exemplo de justiça social. A fé cristã descobre nas conquistas da Revolução um ensaio do Reino de Deus”. E indica esperanças: “Confio que nossas Comunidades Eclesiais de Base saberão preservar as sementes da nova vida. […] Receba meu fraternal abraço nos festejos do 30º aniversário da Revolução Cubana”.

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Dom Paulo Evaristo Arns colocando o boné do MST

No centro de Havana, marcas da evidente miséria em que vive escravizado o povo cubano

Coerentemente, com seu poder e prestígio, o cardeal-arcebispo beneficiou no Brasil correntes que, se não fosse pela recusa popular, nos teriam precipitado em situação parecida com a tragédia vivida pelos cubanos (menos, é claro, os da Nomenklatura). Ou dos venezuelanos, com a exceção dos donos do poder.

É uma verdade translúcida: a atuação de Dom Paulo favoreceu tiranias vigentes em sua época e estimulou a consolidação de futuras ditaduras. Silêncio eloquente e hipócrita pesa a respeito dessas realidades. E sobre essa constatação ninguém (ou quase ninguém) ousa falar. À maneira de cláusula pétrea, todo o Brasil sofre a interdição de exprimir o óbvio ululante. Vamos estilhaçar tal interdição. A verdade pavimenta o caminho para liberdades autênticas, nas quais os pobres têm possibilidades de desenvolver as suas potencialidades — grande estímulo para crescerem. Veritas liberabit vos (Jo 8, 32). A mentira é atalho para o vicejar de tiranias e misérias.

 

A guerra civil à brasileira

Werner Nabiça Coêlho

Um dos lugares comuns da retórica do cotidiano de todo brasileiro é a afirmação de que é óbvio que “estamos numa guerra civil não declarada”, inclusive, tal assertiva é parte do senso comum em vigor, e, por mais de três décadas as classes política e jornalística vêm repetindo esse discurso.

O que mais me chama a atenção nos massacres ocorridos nos presídios neste início de 2017 é o desproporcional destaque político e a repercussão na imprensa, que deram uma dimensão desproporcional ao problema, pois o índice de mortes no sistema prisional é 200 vezes menor que o padrão do índice fora da prisão.

É como que se estivéssemos presenciando uma radicalização do discurso dos direitos humanos dos pobrezinhos forçados pela sociedade a cometer crimes, e, por isso, como o massacre não pode ser imputado diretamente à atuação policial, então se faz necessário que o Estado seja imediatamente responsabilizado mediante apressadas medidas indenizatorias e ações de segurança pública com foco unicamente no sistema prisional.

Questiono-me se a rápida concessão de indenizações não é mais por temor de ações terroristas do PCC, como aquelas ocorridas anos atrás em São Paulo, uma vez que sabido ser o governo do Estado do Amazonas um aliado da máfia denominada Família do Norte.

Sim, a guerra das máfias foi revelada ao público.

Não nos esqueçamos que a forma institucional do comunismo quando se consolida no poder é a forma de um Estado do Crime.

Então, como escapamos da última tentativa de instituição de tal projeto político, no plano oficial, fomos surpreendidos pela constatação de que este projeto continua como um ovo de serpente dentro das prisões.

O que falta para o surgimento de guerrilha e terrorismo no Brasil? NADA!

O grande temor das covardes autoridades públicas brasileiras é o transbordamento da guerra civil mafiosa para o resto da sociedade em seu mais alto nível, e que nossas autoridades passem à condição de alvos preferenciais, pois certamente conhecem o verdadeiro Poder desses homens violentos… e se mijam de medo.

A guerra subterrânea da máfia brasileira foi revelada, com um estranho sabor Norte versus Sul, na luta pelo território brasileiro, cujos quartéis são os próprios presídios.

Werner Nabiça Coêlho – 11.01.2017

O COMUNISMO DE SAPATO NOVO

 

Percival Puggina

A contestação mais comumente feita a quem denuncia os erros e maldições do ideário comunista é a de que o comunismo morreu. E se morreu, seu ridículo adversário é um Dom Quixote com neurônios de Sancho Pança, avançando contra algo que não existe mais.

Eu mesmo imaginei, em 1989, com a queda do Muro, que a desgraçada trajetória das experiências com o comunismo real, somada ao piedoso e exitoso trabalho diplomático e pastoral de S. João Paulo II, houvesse produzido a completa paralisia das funções vitais de uma doutrina que nunca foi funcional. Tal ilusão durou pouco mais de um ano. Enquanto a maior parte dos velhos Partidos Comunistas no Leste Europeu fechava as portas e outros, mundo afora, mudavam a razão social para não perder freguesia, aqui no Brasil eles se mantinham vivos e foram dando cria. O primeiro motivo para a não expedição do atestado de óbito é proporcionado pela existência, entre nós, ainda hoje, de nove partidos, registrados no TSE, que têm o comunismo no nome de família ou nas posições políticas. Não sei de outro país onde existam tantos partidos com esse alinhamento.

Após a Segunda Guerra Mundial, houve uma transmutação. O operário industrial, que o marxismo via como protagonista da revolução, começou a ganhar dinheiro e mandou a ideologia às favas, fazendo com que a militância revolucionária se deslocasse para os operários do imaterial, do conhecimento, com atuação no campo da cultura, vale dizer, muito prioritariamente, para a universidade. Não fosse assim, onde iriam tantos professores buscar para si o título de “trabalhadores em Educação”? Aqui, o nome determina a função e o ensinado se subordina à causa.

Esse projeto andava muito bem no Brasil. Não foi por mero acaso que o Muro de Berlim caiu e o PT fazia nascer nestas bandas o Foro de São Paulo, em comunhão de corações e mentes com Fidel Castro. Por esse caminho, chegou ao poder e não preciso contar o resto dessa específica história. O projeto de tomada da hegemonia através da cultura e do meio acadêmico, porém, foi rompido pelo surgimento da Internet e pela incontrolável propagação das redes sociais, difundindo o que deveria permanecer oculto, disponibilizando o que era para ser contido: o saber filosófico dos grandes autores liberais e conservadores, não marxistas. Estou tratando disso em maior detalhe noutro artigo desta semana, especial para Zero Hora.

O que importa, aqui, é conhecer a diferença entre esquerda democrática e esquerda não democrática, comunista, porque ela permitirá saber como andam as funções vitais dessa doutrina e do respectivo movimento revolucionário, que se fazem passar por mortos para ganharem sapatos novos. Trata-se de algo muito simples, que funciona como o retratinho na carteira de identidade. Qual a posição desses “trabalhadores do imaterial” (para dizer como Negri) e dos dirigentes políticos desses partidos que trocam, em suas siglas, o C (de comunista) por um impreciso S (de socialista), sobre assuntos como:

· regimes totalitários de esquerda, atuais ou passados?
· Luís Carlos Prestes, Carlos Marighella, Carlos Lamarca?
· Fidel Castro, Che Guevara, Hugo Chávez?
· os regimes bolivarianos e Nicolás Maduro?
· Foro de São Paulo?
· Paulo Freire?
· – entre outros temas cruciais – “controle social da mídia”, conselhos populares, invasão de terras?

Submeta os partidos políticos e suas lideranças, formadores de opinião e profissionais da educação ao teste das respostas cabais ou facilmente presumíveis a essas questões e você verá quem se faz de morto para ganhar sapato novo.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

O RISO DO DIABO

 

Percival Puggina

 

Em 1963, consegui meu primeiro emprego. Tinha 18 anos recém feitos e fui contratado para trabalhar como auxiliar de administração no Presídio Central de Porto Alegre. Cursava o último ano do Científico (etapa final do ensino médio da época), preparava vestibular, ganhava uma merreca, mas sabia que, com aquela idade, deveria comprar meus próprios cigarros (levei 40 anos para me livrar disso!). O presídio que me permitia fumar com o suor do meu rosto fora inaugurado quatro anos antes e era o mesmo hoje apontado como o pior do país. No ano seguinte, fui aprovado num concurso e efetivado como funcionário do órgão que administrava os institutos penais do Estado. Novo em folha, articulado com outros dois estabelecimentos da região metropolitana, o Central cumpria perfeitamente bem suas funções.

Faço esse relato para referir a degradação do sistema penitenciário brasileiro. A exemplo de tantos outros aspectos da vida nacional – mal sabem disso os leitores jovens – nosso sistema penitenciário já foi melhor. Aliás, o Brasil, também já foi melhor.   Imperfeito, claro, mas em quase tudo superior a este onde nos trouxeram as filosofias que adotamos e as políticas que escolhemos.

Entre 1959, ano-base deste relato, e 2015, a população do Rio Grande do Sul apenas duplicou, o Produto Interno Bruto cresceu 10 vezes  (se não me enganei nas contas que pude fazer a partir das tabelas da FEE disponíveis na rede) e as alíquotas dos tributos estaduais sofreram diversas majorações. Apesar disso, o poder público estadual não tem, no horizonte, a menor perspectiva de recuperar capacidade de investimento e retirar o sistema penitenciário da falência.

Impossível recusar o que explode diante de nossos olhos. Sucessivas décadas de imprudência, imperícia e negligência, levaram as unidades da Federação e a própria União Federal à atual ruína. Ela foi gerada por governos perdulários e suas prodigalidades; pela ávida busca das manchetes e benefícios políticos de planos de impacto meramente publicitários; pela corrupção e pelo histórico patrimonialismo que confunde e funde o público e o privado; pelos corporativismos espraiados nos poderes de Estado, contaminando a atividade privada e transformando o que é público num botim sob múltiplos e permanentes ataques.

A miséria do sistema penitenciário tem outras causas adicionais. A sociedade brasileira foi, deliberadamente, submetida a uma sistemática destruição de seus valores. Ridicularizou-se o bem e se relativizou a verdade; o errado fala do alto das torres e o certo sussurra nos porões; silenciaram-se as consciências e se tornou proibido proibir; jogou-se sobre a alma da vítima o peso de todos os males sociais e se aliviou a do criminoso, de quem não seria possível exigir outra conduta. Nossos policiais não temem enfrentar os bandidos. É das críticas da sociedade e das manchetes que têm receio. Por causa delas muitos morrem, desnecessariamente, em combate.

Antes da carnificina nos presídio de Manaus e Roraima, houve a chacina da lei e o estupro da ordem. Lá atrás, bem antes de tudo, reprimiu-se a necessária repressão ao mal. Lavrou-se, cuidadosamente, o terreno para a insanidade geral, enxotando-se a propagação do bem, do verdadeiro sentido da liberdade e da responsabilidade. Foram décadas de elogio à loucura! Agora, o diabo ri seu riso sarcástico diante das cabeças decepadas. Ali estão as oferendas da estupidez, dispostas frente ao seu altar. E a ironia o faz seguir gargalhando de uma nação que se extraviou ao ponto de perder, para as facções criminosas, o controle de seus presídios.

 

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

“O PIANO DE CAUDA”

Gen Torres de Melo

Atravessamos 2016, aos trancos e barrancos. Havia momentos que parecia que iríamos afundar de vez. Foram 365 dias de língua de fora, mas por sorte e por pressão da sociedade a LAVA JATO conseguiu avançar.

Entramos em 2017. Parece que reina paz. É aparente. Estão se devorando e os possuidores de “PIANO DE CAUDA” estão a todo vapor. Nos bastidores estão se comendo para conquistarem os postos de Presidente do Senado, Câmara Federal e as Estaduais.

Seria tão fácil se fosse escolhido os não possuidores de “PIANO DE CAUDA”! Estão curiosos.

È uma história simples. A figura principal é o Imperador Pedro II, que quando foi deposto tentaram votar uma pensão para que pudesse viver em Paris. Não aceitou e quis apenas um pequeno saco com terra do Brasil para colocar sua santa cabeça. Vamos a história.

No Império tínhamos o Senado ocupado por senadores vitalício. Para chegar ao cargo era preciso estar numa lista tríplice e ser do partido que estava no governo. A lista ia ao Imperador que escolhia o senador.

Com uma vaga existente o Partido que estava no Poder queria indicar o amigo, mas sabia que o imperador não era muito de amores para o preferido do partido. Ardilosamente, a lista foi composta por aquele que o Partido desejava e dois do partido que era oposição. Pensavam que, assim, o Imperador não tinha saída.

O 1º Ministro leva a lista e o Imperador escolhe um da oposição. O ministro: “Imperador quem está no governo é o meu partido e V.Ex. escolheu o senador do outro partido”. Sim, ministro. E o ‘”PIANO DE CAUDA”. O ministro pede permissão e se retira. Quanta falta faz um PEDRO II. Tem gente nos governos donos De “PIANO DE CAUDA”.

O candidato ao senado tinha ido a Europa e comprou um PIANO DE CAUDA. Colou algumas  coisas, na cauda.  A alfândega olhou a cauda e viu o pequeno contrabando. 

Não seria muito bom que os PRESIDENTES DO SENADO E CÂMARA, ASSEMBLÉIAS  E PREFEITOS NÃO FOSSEM DONOS DE “PIANO DE CAUDAS”?

GRUPO GUARARAPES

Gen torres de melo, coordenador

O PLANO DIABÓLICO DE MARCELO ODEBRECHT PARA ENTERRAR A LAVA JATO

JORGE OLIVEIRA

Maceió – Marcelo Odebrecht, presidente licenciado da empreiteira, montou uma estratégia prodigiosa que pode livrar ele da cadeia e mais os seus 70 diretores que também fizeram deleção premiada em troca de penas menores ou do perdão pelos crimes da Lava Jato. Ao denunciar mais de 200 pessoas, dos quais mais de 100 políticos, como cúmplices da sua empresa nos atos de corrupção das estatais brasileiras, Marcelo pretende travar o processo, pois sabe que o STF vai demorar muito tempo para julgar os acusados.

Ora, se a principal Corte do país precisa de anos para analisar o processo de apenas um político é de se supor que outras dezenas de anos deverão ser necessários para que o tribunal comece a julgar o primeiro da lista dos delatados pela Odebrecht. Desde o dia 31 de dezembro de 2015, primeiro ano da Lava Jato, já existem na mesa de Teori Zavascki, 7.423 processos. E em todo tribunal dormem outros 61.962. Os mais de 100 advogados da empreiteira já entregaram a defesa dos seus executivos aos procuradores em pendrive. Convertido em outra montanha de papeis, os processos vão se acumular nos porões do STF.

Ao oferecer ao Ministério Público a delação premiada de todos os diretores da sua empresa, Marcelo pretende engabelar os procuradores que não terão como estabelecer o critério de prioridade para ir fundo nas investigações tal a quantidade de informações recebidas. Apelidada de “Delação do fim do mundo”, esse processo da Odebrecht corre o risco de ficar na gaveta do STF até prescrever e os saqueadores das empresas públicas impunes, a exemplo de outros que estão por lá até hoje.

A papelada vai ocupar salas e mais salas do tribunal e exigir do ministro Teori Zavascki um esforço hercúleo para oferecer denúncias aos mais de 100 políticos envolvidos na caixinha da empreiteira. Antes, porém, terá que começar a ouvir as testemunhas de acusação e de defesa. Como todos conhecem a leniência do STF, é de se imaginar o longo caminho que percorrerá esse processo a ter o seu desfecho final.

Os procuradores, que acharam estar diante da maior delação do mundo, não imaginaram o tamanho do abacaxi ao aceitar que Marcelo incluísse na sua delação premiada todos os diretores da sua empresa. A esmola era grande e o cego não desconfiou. Assim, diante de tantos nomes revelados pela Odebrecht como envolvidos no esquema, é difícil saber por onde o STF deverá começar a operação do desmonte da gigantesca delação.

A estratégia de Marcelo foi traçada meticulosamente com seus advogados. Ele sabe que se entregasse apenas a cabeça dos ex-presidentes da república envolvidos na maracutaia e as dos políticos mais importantes, ainda atuantes no país, sua empresa e ele próprio estariam mais vulneráveis a retaliações, pois muitos deles não só tem mandatos como ainda dão as cartas no país. Assim é que ele decidiu embaralhar o jogo. Apresentou uma lista com centenas de nomes para dar a todos eles o mesmo peso na denúncia e distanciar também os notáveis dos julgamentos já que todos fazem parte dessa lista quilométrica.

O plano de Marcelo deu certo. Condenado a 19 anos de prisão, a sua pena deverá ser reduzida e ele irá para casa onde se submeterá a atos disciplinares até sair livremente às ruas. Pelo acordo, seus diretores não serão punidos. E muitos deles ainda receberão milhões de reais da empresa como compensação indenizatórias pela delação a pretexto de se protegerem do desemprego.

Enquanto isso, no STF, todos os processos da Lava Jato vão se acumulando até os fatos caírem no esquecimento da opinião pública. Não seria exagero dizer aqui que o processo da Lava Jato vai passar de mãos em mãos por anos a fio quando então os atuais ministros já teriam deixado o tribunal pela compulsória. Muitos dos réus jamais serão julgados, pois alguns serão beneficiados pela idade, outros pela prescrição de pena e a maioria terá seus processos arquivados.

Assim, os procuradores e o juiz Sérgio Moro, tão eficientes nas investigações da Lava Jato, um dia contarão aos seus netos que tentaram colocar o Brasil nos eixos, mas certamente esconderão dessa história a parte em que foram ludibriados por um tal Marcelo que os envolveu em um plano diabólico para transformar a operação Lava Jato em um amontoado de papeis inúteis e obsoletos.