A farsa das margarinas

Alguns alimentos que contêm gordura hidrogenada:

* Biscoitos: praticamente todos, principalmente os recheados e os wafer; Chips;
* Batata-frita: tanto as de pacote quanto as de fast-food;
* Tortas e bolos prontos e semi-prontos (ficam bem fofos);
* Pães, principalmente os de massa doce;
* Pães de forma, a maioria.
* Sorvete: a maioria, até mesmo os chamados light. O sorvete hidrogenado é mais espumoso;
* Chocolate: cuidado com os diet, pois são os piores;
* Leite: os achocolatados prontos;
* Margarinas
* Fast-food: usam essa gordura para todas as frituras porque ficam crocantes;
* Requeijão: os que são muito cremosos;
* Pipoca de microondas;
* Temperos prontos em tabletes ou em pó.

 

Gordura Vegetal Hidrogenada ( As  gorduras hidrogenadas são encontradas nas margarinas, biscoitos, alguns chocolates, salgadinhos, petiscos)

O seu veneno alimentar de cada dia

Fonte: www.umaoutravisão.com.br

Imagine se todos os dias a gente ingerisse uma pequena quantia, quem sabe grandes quantias, de um veneno, que ao invés de matar de uma vez, vai enfraquecendo virtualmente todo o seu organismo.

Imagine se a cada dia você e sua família estivessem consumindo, sob belos e charmosos rótulos, alimentos que possam estar envolvidos com: doenças cardiovasculares, doenças do fígado, doenças do sistema nervoso central, problemas de comportamento (como agressividade ou distúrbios de atenção), diabetes, alguns tipos de câncer (como a câncer de mama), e muito mais.

O ingrediente citado é a gordura vegetal hidrogenada, ou simplesmente GVH, um curioso insumo industrial que praticamente se encontra em todos os alimentos embalados que você compra em um supermercado, incluindo os pães de balcão. É como se fosse uma praga que você não consegue se livrar: ela está em produtos de panifício em geral, bolachas, massas, chocolates, sorvetes, produtos enlatados, salgadinhos fritos embalados ou à granel, já que são fritos em gvh, e muitos outros. Talvez 90 % do que se compre em alimentos nos supermercados apresente GHV em sua composição ou no modo de preparação.

Esse produto faz parte do seleto grupo de ingredientes, quase universais, que aditiva nossas comidas e bebidas, como o flúor, a lecitina de soja, glutamato monossódico (GMS), e os adoçantes artificiais (aspartame, ciclamato, sacarina etc.). É quase impossível se livrar dessas coisas, absolutamente artificiais, inexistentes na natureza, e que só compõe nossos alimentos por ação industrial.

 

Você conhecia a GVH?

 

A gordura vegetal hidrogenada é um aditivo alimentar, de intensa ação biológica, que, embora não esteja identificado de forma óbvia nos rótulos das embalagens, pode ter sua presença verificada ao se examinar os ingredientes desses produtos. Podemos suspeitar de sua existência quando vemos nos rótulos a ridícula advertência: esse produto não contém colesterol. Observe nas letras pequenas e de difícil leitura, por exemplo, do seu biscoito água e sal preferido, ou que tal no sorvete. Observe a onipresença, nos produtos ao lado desses na mesma gôndola do supermercado.

Não está por acaso. Serve para “abrilhantar” o aspecto de inúmeros alimentos e dar certa leveza na textura do mesmo. Além do mais, dá mais longevidade aos alimentos, uma vez que se oxidam de forma muito lenta, ou nem mesmo oxidam. Funciona como um conservante adicional.

 

O que é exatamente a GVH?

 

A GVH não é um produto natural. Os lipídios obtidos do reino vegetal são tipicamente líquidos na temperatura ambiente. Exceção feita à gordura do coco, pelo simples fato de se tratar, fato incomum no reino vegetal, de gordura saturada. A banha de porco também é firme na temperatura ambiente média, pois se trata, como todos já sabem, de gordura saturada. A gordura mais abundante no corpo dos seres humanos é saturada, como podemos comprovar com facilidade ao cortarmos a pele: não fica escorrendo óleo de nossos ferimentos.

Para melhorar o manuseio na manufatura alimentar, as formas sólidas são mais úteis, e têm como exemplos a tradicional banha ou a manteiga, como sempre foi nas receitas culinárias que atravessaram os séculos.

No entanto, no mundo de hoje, ficou determinado que as gorduras naturais tradicionais seriam venenosas para as pessoas, apesar do singelo fato dos seres humanos virem consumindo esse tipo de lipídeo desde os primórdios do aparecimento da espécie no planeta. Mas o cientista moderno é muito mais sábio que a mãe natureza e deve entender que a antropologia não poderia oferecer conhecimentos politicamente incorretos. Obviamente admitir que a gordura animal seja saudável, que a gordura saturada é imensamente mais saudável é por demais antipático para que a ciência, a “melhor” voz daquilo que chamamos de progresso tecnológico, dê eco ao informar a população em geral. A ciência tem compromisso com seus investidores. Como qualquer um sabe tudo é uma questão de investimento.

Criou-se a GVH, que faz parte de uma complexa cadeia produtiva, que integra a comercialização de sementes oleaginosas, de insumos agrícolas – agrotóxicos e fertilizantes, de toda a rede de transformação industrial e distribuição aplicada aos alimentos, (e quem sabe ao próprio mercado de medicamentos que trata dos problemas que ela traz). A GVH é alicerce importante dos transtornos ecológicos da paisagem agro-pastoril e da contínua e criminosa mutilação dos ecossistemas (por exemplo, a destruição da floresta amazônica, com queimadas, para substituição por soja, deixa o Brasil como quarto responsável mundial pelo aquecimento global).

Ë um produto muito articulado com o “modernismo” higiênico de políticas de saúde aplicada à comida, que transformou pessoas, em tese, muito bem intencionadas em ativos cúmplices da doença e da morte.

 

Como isso aconteceu?

 

A introdução de um produto artificial, desse tipo, em nossa alimentação faz parte de uma complexa interação de fatos e pessoas, mitos e verdades, sofismas e obscuridades.

A hidrogenação foi inventada em 1901 por um químico alemão chamado Wilhelm Norman (1870-1939). Em 1909 a multinacional Procter & Gamble adquiriu a patente americana desse processo, e em 1911 surge o Crisco oil, um dos primeiros produtos hidrogenados para consumo popular, feito a partir de semente de algodão, misturado com gordura animal.  O uso desse tipo de gordura não tinha nenhum comprometimento com a saúde das pessoas. O uso inicial tinha como principal vantagem reduzir custos da produção de alimentos! Até porque, nessa data, não havia a “lipídeofobia”, mitológico argumento de que as doenças do coração seriam causadas pelo consumo de gordura animal. Essa praga da cognição surgiu nos anos 50 com as idéias do Dr. Ancel Keys a respeito de gordura saturada e colesterol, idéias que podemos chamar na melhor das hipóteses de um “engano” do conhecimento científico, embora quem chamar de fraude, talvez não esteja equivocado.

Mas ainda hoje, médicos famosos têm a capacidade de ampliar esse poder daninho – absolutamente mítico – das gorduras naturais na geração de doenças como por exemplo o câncer de mama ou colo-retal. Fobia é sempre uma doença de imensa capacidade mutilatória, não há como duvidar…

Então, a partir dessa data, o público consumidor passou a ingerir uma substância  nova que não existia na natureza, a GVH, de modo crescente, com o apoio da ciência, da medicina e de advogados. Substância, que mais tarde, foi reconhecida de gravíssima ação sobre o organismo. Até 1930, o infarto do miocárdio não causava mais do que 3.000 mortes por ano nos EUA, e em 1960 já era causa de mais de 500.000 mortes por ano!

Os anos 50 foram extraordinários. A influência das descobertas da indústria química prometia reformar a vida na terra. Não haveria limite para essa recriação! Nada melhor do que assegurar que a natureza era falha em nos oferecer produtos saudáveis. Nada melhor do criar o conceito de alimento remédio! Um conceito intrinsecamente de rasa inteligência, mas grande perspicácia. Essa situação foi levada a um extremo: foi uma época em advogados disseram que as gorduras “trans” da margarina eram mais saudáveis que a gordura saturada da manteiga.

Não é de se surpreender. Foi um período da história em que a medicina foi cúmplice de incríveis sofismas: cigarro era bom para a saúde da mulher, ou: o corpo humano pode se livrar do chumbo – o que validava o uso do chumbo na gasolina para melhorar a performance dos automóveis. (ver artigo Portas da percepção, nesse site). O Dr. Ancel Keys afirmava que a causa da doença cardíaca era a gordura animal, assim um dos mais importantes constituintes do corpo humano – o colesterol – ganhava o incongruente status de maligno. A mulher seria ajudada pelos hormônios artificiais de semelhança estrogênica do “benevolente” Dr. Robert Wilson. O entorpecimento era geral, definitivo, e para sempre! Até hoje a maioria das pessoas e da elite científica acredita e dá suporte a essa coleção de inépcias.

 

Saturado – Em química não é o que você está pensando!

 

A expressão: saturado, (ou saturação), nada têm a ver com a compreensão que facilmente podemos ter para questões denotativas.

No cotidiano, estar saturado é estar cheio ou aborrecido, desgostoso, incomodado com alguém ou alguma coisa. É um termo pejorativo. Dentro dessa abordagem gramatical, insaturado poderia ser um predicado positivo. Embora ninguém diga que está insaturado de algo ou alguém… Em todo o caso, as palavras podem ser úteis em trair um senso comum.

Saturação ou insaturação em química nada, nada têm a ver com isso. As gorduras são formadas por moléculas que tem vários átomos de carbono.  Gordura saturada é aquela cujas moléculas têm todas as ligações com carbono ocupadas por átomos de hidrogênio. Moléculas com essas propriedades são altamente estáveis sob aquecimento. Não se oxidam. Não rançam com facilidade.  As gorduras insaturadas podem ser monoinsaturadas ou poliinsaturadas. A monoinsaturada tem uma única ligação dupla entre dois carbonos, o que corresponderia a uma falta (hipotética) de dois átomos de hidrogênio, as poliinsaturadas têm duas ou mais ligações duplas entre os átomos de carbono, correspondendo uma falta de vários átomos de hidrogênio. Essa seria a lógica da hidrogenação artificial: encher as ligações duplas com hidrogênio e endurecer os óleos vegetais… é o homem na sua insana luta em imitar a natureza! Estratégia pouco ecológica, que acaba ofertando à humanidade os resultados que normalmente alcançamos quando o homem faz isso: dano ao próprio homem e/ou a todo o meio ambiente.

Na gordura animal cerca de 60% da quantia total de lipídeos é saturada! As gorduras poliinsaturadas na natureza são encontradas na posição “cis”.

Todos os produtos poliinsaturados são frágeis e não devem ser aquecidos, pois iniciam um processo de oxidação e se transformam em produtos NOCIVOS, que não devem ser consumidos como alimento!

 

Entenda a hidrogenação

 

A transformação de um óleo vegetal em um composto sólido tem a finalidade de imitar a banha e a manteiga. Mais uma vez o homem tenta criar produtos similares aos naturais com finalidades econômicas.

Esse processo é conhecido por hidrogenação catalílica de óleos. Essa catalização usa metais como o níquel e a platina. O óleo é submetido à pressão com gás hidrogênio sob temperaturas entre 100 a 200 graus Celsius, por várias horas, na presença de um catalisador. Nesse processo, átomos de hidrogênio são jogados de forma aleatória às moléculas dos ácidos graxos poliinsaturados típicos dos óleos, criando inúmeras moléculas novas, desconhecidas no contato do homem com a natureza. Algumas dessas moléculas extravagantes são ainda mais perigosas, pois são do tipo gordura “trans”. Normalmente muitos temas de química são de difícil entendimento pelo grande público. Mas aqui o que é necessário ser sabido é que na molécula de uma gordura os átomos de hidrogênio ficam sempre do mesmo lado de uma ligação dupla, isso é chamado de isômero cis. Na nova forma os átomos ficam em posições opostas.

Veja o exemplo:

Representação do ácido graxo oléico, elaídico e esteárico;
destaque para os isômeros cis e trans:

 

 

 

Mais importante é ter o conhecimento de que a fritura com óleos vegetais também podem modificar a estrutura das moléculas de ácidos graxos, transformando-as em trans. Dessa forma deve-se evitar a feitura de frituras em óleos vegetais, sejam eles quais forem. Fritura deve ser feita sempre em banha ou manteiga.

Embora muitos artigos encontrados na Internet falem que existem ácidos graxos trans em gorduras animais, fato é que essas moléculas naturais não fazem mal para o homem. Logo não é adequado comparar a quantia de gordura trans presentes na manteiga, por exemplo, com a de alimentos artificiais. Em todo caso, a manteiga teria ainda assim uma quantia bastante segura de 2% de gordura trans. A GVH apresenta 50% de gorduras trans!

A gordura trans produzida pelo processo industrial é um dos mais terríveis ingredientes que compõe alguns produtos vendidos para alimentação. São apelidadas por alguns autores como: assassinos silenciosos.

 

Que tipo de problema está relacionado com as gorduras trans?

 

A pesquisadora de lipídeos, dra. Mary Enig, vem estudando as gorduras hidrogenadas e sua possível relação com enfermidades desde os anos 70. É reconhecidamente uma das pioneiras em desafiar um consenso anterior de que não haveria problema no consumo de gordura trans. Seus primeiros estudos tratavam da relação entre essas gorduras com o câncer.

Atualmente essas gorduras artificiais estão relacionadas com as seguintes patologias:

  1. a) Perturbação no metabolismo dos lipídeos, e do colesterol em particular;
  2. b) Elevam a lipoproteína aterogênica (relacionada com infarto do miocárdio);
  3. c) Afeta as respostas imunológicas dos glóbulos brancos;
  4. d) Aumentam os níveis de insulina, aumentando o risco de diabete do tipo II;
  5. e) Reduz a quantidade de gordura do leite de mães que amamentam, causando prejuízo na qualidade alimentar e no crescimento e na saúde do nenê;
  6. f) Inibem funções enzimáticas das membranas celulares e alteram outras funções celulares;
  7. g) Aumenta a atividade peroxisomal, potencializando a formação de radicais livres;
  8. h) Causam alterações no tecido adiposo;
  9. i) Aumentam o risco de câncer de mama;
  10. j) Aumentam os casos de doença cardíaca em homens e mulheres;
  11. k) Pode estar relacionado com baixo peso em crianças;
  12. l) Reduz o nível de testosterona, reduz a contagem normal de espermatozóides, e reduz a capacidade reprodutiva feminina;
  13. m)   Pode estar relacionado com o aumento no número total da incidência de câncer.

 

Essa lista pode ser bem maior.

 

Mas a novas margarinas não fazem bem ao coração?

Apesar de uma festiva mídia, as margarinas com menos gorduras trans são tão artificiais e pouco saudáveis quanto as tradicionais. Em 1998 um artigo do American Journal of Clinical Nutrition (1998;68:768-777) já discutia esse assunto, e dizia ser irrelevante a eventual vantagem desse tipo de margarina na saúde cardíaca. É estranho que quase dez anos depois de seu surgimento, esse tipo de produto possa aparecer como a solução do problema. Aliás, como seria possível confiar nas mesmas empresas que, por quase 90 anos, vinham vendendo produtos tóxicos para a população? Por que essas empresas não procuraram testar ao máximo seus produtos, produtos esses que não existiam na natureza, e, portanto, seriam desconhecidos para a fisiologia humana, um singelo predicado de segurança? E, por que, agora, teríamos que acreditar piamente na sua boa intenção?

Mesmo que se consiga reduzir a quantia da parcela “trans” de constituintes da margarina, em essência continua sendo um produto artificial com quantias absolutamente pouco saudáveis de ômega 6, e de um quantia geral exagerada de poliinsaturados, o que a transforma num não-alimento. Rótulos que indiquem Livre de Gorduras Trans, ou: Contém mono-diglicerídeos (nova denominação comercial de gordura vegetal hidrogenada), não modificam uma realidade elementar: qualquer processo de hidrogenação modifica a estrutura natural das moléculas de gordura, e qualquer modificação produz substâncias potencialmente perigosas à saúde!

 

Por que o consumidor precisaria saber que modificamos os alimentos?

 

Em 1938 foi publicado uma norma que deveria regular a venda de produtos alimentares para a população. Alimentos populares, tradicionais, facilmente reconhecidos pelo público deveriam ser distinguidos para o consumo, para que o comprador não fosse enganado frente ao seu desejo de compra. Ou seja: pão francês é feito com farinha de trigo, água e sal. Leite é leite, ora, retirado de gado, ou pelo menos de qualquer ser vivo do reino animal e da espécie dos mamíferos! Todos os produtos diferentes da composição tradicional deveriam ter um rótulo com alguma instrução do tipo “imitação de”, “semelhante a”, “alimento modificado” etc. Mas um famoso advogado de empresas alimentares entendia que deveria ser removida qualquer barreira legal e regulatória para os novos produtos que começavam a ser produzidos. Foi muito proficiente em suas aspirações e conseguiu trabalhar no próprio órgão regulador do Estados Unidos, a toda poderosa FDA. Em 1973 foi criada uma nova legislação, uma nova regulamentação para os imitadores, que não precisavam mais advertir os consumidores de modo ostensivo que o produto de consumo que teriam em suas mãos não era natural ou que não era mais feito do modo tradicional, podendo ter ingredientes novos.

Dessa forma, o consumidor poderia comprar um chocolate com gordura vegetal e lecitina de soja ou invés de leite integral e manteiga de cacau sem ter no rótulo: produto similar ou imitador de chocolate. Ele saberia da composição ao examinar a composição na embalagem.

Como é público e notório, poucas pessoas se dão ao trabalho de examinar os ingredientes dos seus produtos de consumo. Além do mais, as letras são muito pequenas, e dão muito trabalho para serem lidas. As pessoas mais velhas, geralmente mais conscientes da necessidade de ler a embalagem, podem realmente ter dificuldade em compreender o que está escrito. Isso não é de forma alguma apenas uma piada de mal gosto. Além disso que muitos nomes são códigos de difícil entendimento mesmo para pessoas mais bem informadas. Finalmente, o que seria muito justo de se supor, muitos devem acreditar que os órgãos reguladores  governamentais só liberassem produtos seguros para a saúde.

Finalmente, cabe sublinhar que qualquer adição a um alimento, que foge ao tradicional ou ao esperado, é uma forma de adulterar, ou, de maneira mais delicada de dizer: imitar ou aditivar um produto alimentar. Mesmo que seja por motivos com aparente boa intenção: colocar vitaminas, sais minerais, açúcar, adoçantes artificiais, sódio, glutamato, gordura vegetal ou qualquer óleo vegetal não esperado, lecitina de soja ou qualquer derivado de soja (uma vez que soja deveria ser esperada apenas em derivados da soja, e de onde jamais deveriam ter saído), margarina, corantes, espessantes, carragena, goma guar, anti-oxidantes, anti-umectantes, etc., seja  lá o que transforme o produto em um artigo alimentar artificial. Da mesma forma, retirar componentes de um alimento como gordura, sal, água, ou qualquer outra substância é um ato de alterar o seu alimento de forma artificial. Geralmente a motivação declarada é de tornar o produto mais saudável. No entanto, ordinariamente o único objetivo é melhorar a lucratividade desse produto e colaborar com a cadeia produtiva industrial dos alimentos.

 

Há soluções?

 

É possível encontrar-se vários textos que falam do problema das gorduras trans e da GVH, dizendo que seria bom se a gente comesse menor quantidade ou que seria interessante que o consumidor observasse as fórmulas dos alimentos embalados e pesquisasse os que tivessem menor percentual desses produtos-problema. Alguns autores vêm com um papo bem típico dos sofismadores: “Há gorduras trans na natureza!”, como se fosse a mesma coisa. Enfim parece que é necessária a confusão. Ou, às vezes parece tão difícil se livrar desse tipo de problema como fosse difícil se livrar do ar ou da água no dia-a-dia. Parece que é um problema compulsório. Mas poucos “experts” não sublinham o mais óbvio: a indústria simplesmente deveria parar de usar esse produto. Por que não pára de fabricar? Não é um produto essencial! Não é indispensável à vida! Não é indispensável para a humanidade. Nunca foi. Mas pode ser indispensável para os lucros. Mas é provavelmente indispensável para manter a crença fraudulenta de que a gordura de origem animal faz mal e manter-se a ingênua crença da pureza vegetariana, que nesse caso está associada ao oposto do que ela defende: está associada com a falta de saúde e como sofrimento das pessoas.

A solução é simples. A GVH é uma substituição de outros produtos bastante conhecidos da história nutricional da civilização. Basta resgatar hábitos antigos, tradicionais, mas reconhecidamente seguro. Se você vai a um restaurante naturalista ou vegetariano, se informe com o que ele faz suas frituras. Se for com óleos vegetais ou GVH, talvez o dono do restaurante esteja mais preocupado em defender seu dogma ideológico do que oferecer saúde aos seus clientes. Ainda é possível se fazer frituras com segurança. Ainda é possível fazer biscoitos e sorvetes que sejam saudáveis. Com menos preconceito, e um pouco mais de inteligência podemos facilmente voltar a ter salutares hábitos de alimentação.

 

BAN TRANS FATS

No Brasil, a nível popular, há pouquíssima repercussão do problema das gorduras “trans” e da gordura parcialmente hidrogenada. Na Europa, Canadá, Austrália e Nova Zelândia existe uma grande e forte divulgação do problema. Uma das grandes campanhas mundiais é a Bantransfats, um projeto de mídia com implicações legais contra empresas que fabricam ou manuseiam alimentos que poderiam expor o público à gordura “trans” e à gvh. O objetivo é difícil, mas muitas empresas nesses locais se preocuparam em reduzir drasticamente o conteúdo desse agente tóxico em seus produtos.

O importante é saber que existem campanhas com esse objetivo. Quem conhece o tema tem a obrigação de divulgar o assunto, e popularizar essa informação: evite gordura hidrogenada e gordura “trans”.

Referências: 

1)    Excelente artigo em português das estudiosas Sally Fallon e Mary Enig,  www.melnex.net/gordura.doc;

2)    Gráfico: isômeros de ac. Graxos, disponíveis no site dos Arq. Latino Americanos de nutrição: http://www.alanrevista.org/ediciones/2006-1/acidos_graxos_trans.asp;

3)  Sobre história da hidrogenação e do inicio do

uso da GVH nos alimentos: http://www.spectrumorganics.com/?id=33;

4)   Site: Gordura hidrogenada, Os Assassinos Silenciosos

(freqüentemente revisado): http://www.dldewey.com/hydroil.htm;

5)   Vários artigos no portal do médico americano Joseph Mercola, http://www.mercola.com;

6)   Livro: Nourishing Traditions, de Sally Fallon e Mary G. Enig, editora New Trends Publishing;

7)  Vários outros artigos, facilmente encontrados em vários sites pela Internet,

infelizmente quase todos os melhores artigos são em inglês.

A MARGARINA foi originalmente fabricada para engordar perus?
Reza a lenda que sim, e afirma que quando os perus começaram a MORRER, por conta da ingestão dela. Isto levou a que aqueles que investiram na pesquisa para criar o novo produto começassem a pensar numa utilização alternativa que lhes permitisse, no mínimo, RECUPERAR O INVESTIMENTO.
Muitos preferem acreditar que isto é uma lenda, e foi criada uma versão oficial, mais bonita, que diz que a margarina foi criada no século XIX, pelo químico francês Hippolyte Mège Mouriès, como resposta a um “concurso” criado pelo imperador Napoleão III, que teria oferecido um prêmio para quem conseguisse desenvolver uma alternativa satisfatória para a manteiga, que pudesse ser consumida pelas “forças armadas e as classes sociais mais baixas” (e quem sabe por perus) — a ELITE, claro, continuaria a consumir a manteiga.
O fato é que, quando surgiu, a MARGARINA ERA UMA MISTURA DE SEBO DE VACA, LEITE DESNATADO, PARTES MENOS NOBRES DO PORCO E DA VACA E BICARBONATO DE SÓDIO. Hoje em dia, seu processo de produção é mais complexo e inclui o uso de solventes de petróleo, comumente o hexano, pelo baixo custo, o ácido fosfórico e a soda, resultando numa substância marrom e malcheirosa, que após o tratamento com ácidos clorídrico ou sulfúrico, passando por altas temperaturas e catalisação com níquel, que deixa o produto parcialmente hidrogenado. A isto se adiciona corantes, e aquilo que era uma substância branca, torna-se apetecível para o consumo humano e, e para muitos, se tornou uma alternativa mais barata e um substituto para a manteiga.
E qual é realmente a DIFERENÇA ENTRE MANTEIGA E MARGARINA?
Vejamos:
— Ambas têm a mesma quantidade de calorias.
— A manteiga tem um pouco mais de gorduras saturadas. Diz-se que 8 gramas contra 5 gramas da margarina.
— De acordo com um estudo da Harvard Medical, comer margarina pode aumentar em 53% as doenças cardíacas em mulheres, relativamente àquelas que comem a mesma quantidade de manteiga, devido a presença de GORDURA TRANS, na margarina, que é mais perigosa para o coração, que a gordura saturada, segundo pesquisas semelhantes. Levando em consideração somente este malefício, se colocaram no mercado marcar de margarina que afirmam não conter gordura trans.
— O Jornal Estado de São Paulo, publicou em 14 de novembro de 1999, matéria em que alertava para o fato de que a gordura da margarina causaria mais danos à saúde que a gordura saturada — isto, segundo o FDA, órgão americano de fiscalização de alimentos e remédios. A revista Exame, publicou também de 1999, um extenso artigo alertando sobre os perigos desse produto e falando das implicações que as poderosas multinacionais americanas estavam sofrendo no próprio país por colocar no mercado produtos comparáveis ao cigarro em termos de periculosidade. O curioso é que a repercussão no Brasil foi infelizmente pequena.
— É importante ressaltar que a maior incidência de doenças cardíacas, e do outros problemas que a medicina atual considera serem relativos ao colesterol, está associada à “gordura trans” e não à margarina per se — uma vez que não é consumida a tempo suficiente para que se saiba de todos os malefícios que pode ocasionar sua ingestão e nem se investe neste tipo de pesquisa.
— Importante também lembrar que vários outros produtos apresentam “gordura trans”, como os biscoitos, bolos, massas, sorvetes, etc — muitos dos quais levam margarina em sua composição.
A MANTEIGA:
— Aumenta a absorção de nutrientes presentes em outros alimentos.
— Traz mais benefícios nutricionais do que a margarina, e que aos produtos adicionados à ela, artificialmente, até por ser um produto de origem orgânica e não sintetizado em laboratório.
— É mais saborosa que a margarina e pode melhorar o sabor de outros alimentos.
— Existe há séculos e a margarina há menos de 100 anos.
— Triplica risco de doença cardíaca coronária, segundo afirmação de alguns profissionais.
— Aumenta o colesterol total e o LDL, chamado de mal colesterol, e diminui o colesterol HDL, chamado de bom colesterol.
— Aumenta o risco de câncer em 500%.
— Reduz a qualidade do leite materno.
— Diminui a resposta imunológica.
— Diminui a resposta à insulina.
— Estudos sugerem que a margarina pode estar relacionada a disfunções imunológicas, danos em fígado, pulmão e órgãos reprodutivos, a distúrbios digestivos, diminuição na capacidade de aprendizado e crescimento, problemas de peso, aumento no risco de câncer e, principalmente, a transtornos do metabolismo do colesterol, incremento de aterosclerose e doenças cardíacas. Ou seja, a margarina promove o que ela se propõe a tratar.
E, finalmente, um fato interessante e perturbador: a margarina está a apenas uma molécula de ser… PLÁSTICO. E possui 27 ingredientes que existem na TINTA DE PINTAR. Este, entretanto, é um argumento, que pode ser contestado pelos que defendem o uso da margarina em detrimento da manteiga, menosprezando sua relevância, com o argumento que o mesmo se poderia dizer da água — que está a apenas uma molécula de ser solução de ácido clorídrico concentrada. Isto é o que acontece se acrescenta molécula de HCl à de água. Para transformar a água em água oxigenada, basta acrescentar mais um átomo de oxigênio. Deste forma, para que vê o mundo quimicamente, sem considerar a energia vital presente nos alimentos, não se mensuram as substâncias por sua “distância” molecular de outro composto, já que um único átomo pode alterar completamente as propriedades — e a periculosidade — de um composto.
Se não está convencido FAÇA A SEGUINTE EXPERIÊNCIA:
Abra uma embalagem de margarina e deixe-a aberta num local à sombra durante alguns dias. Você poderá constatar algumas coisas muito interessantes:
1. Não há moscas! Isso deve querer dizer alguma coisa, não?
2. À sombra, a margarina não mostra sinais de apodrecimento, decomposição ou alteração no cheiro. Se exposta à luz direta, ela se deteriora devido à oxidação da gordura, que leva “rancificação” do produto, porém, este não se decompõe devido a ação de microrganismos, como ocorre com a manteiga, ou seja, a margarina não tem BOLOR. Nada se desenvolve ou cresce nela.
3. Nem as moscas, nem formigas ou os menores microrganismos encontram alimento na margarina, pois não há ali nada de bom. Estes insetos, em geral, são atraídos por açúcares, os quais fazem parte de sua dieta, mas não são atraídos por um produto que é basicamente constituído apenas de gordura, diferentemente da manteiga, que se compõe de outros elementos, além da gordura.
Para moscas e formigas, e microrganismos, que não são formados em química, literalmente, a MARGARINA É QUASE UM PLÁSTICO.
EXCLUA ESTE PRODUTO DE TUA VIDA, e acompanhe o resultado através de exames médicos. A sua saúde agradece.
Você NÃO DEVE ACREDITAR CEGAMENTE NO QUE AQUI ESTÁ ESCRITO. Pesquise. Busque por artigos. Hoje há muita informação de qualidade (assim como lixo), na rede. Saiba separar o que é “manteiga” do que é “margarina”, na internet.
E lembre: o consumo eventual, não trará riscos à saúde. O uso continuado e insistente, como afirmam vários profissionais, sim.
ATUALIZEI as informações aqui contidas, pois verifiquei a existência de um antigo artigo, que foi contestado como “hoax”, pelos interessados no comércio da margarina, que menospreza estes riscos e até enaltece o uso da margarina sobre a manteiga.
Por favor, repasse esta informação para os seus contatos. A maioria das pessoas consome este produto inocentemente, e é importante caso façam uso, o façam sabendo dos riscos a que se expõem.

OS RÓTULOS MENTIROSOS DOS “ALIMENTOS SAUDÁVEIS”

Você já gastou aquele dinheirinho extra para comprar um alimento natural de alta qualidade, ou uma vitamina, só para descobrir mais tarde que não era nada do que anunciava? Já aconteceu em nossa família mais de uma vez. Nossa experiência mais recente foi com uma linha de óleos vegetais vendida em lojas e cooperativas naturais. As garrafas, com belos rótulos, alardeavam a técnica especial de processamento em baixa temperatura e a qualidade superior do produto. Já vínhamos usando o óleo de canola daquele fabricante há vários anos quando decidi escrever à companhia com algumas perguntas e pedindo informações sobre o óleo que vendiam. Ficamos chocados ao descobrir que o óleo de canola “prensado a frio” e levemente refinado” era sujeito às mesmas temperaturas altas (232°-260° Celsius) e à maioria dos processos químicos usados nos óleos comuns! A principal diferença é que não usavam solventes químicos para extrair o óleo das sementes nem adicionavam preservativos e anti-espumantes.

Desapontado, e decidido a encontrar uma fonte de óleos saudáveis para minha família, comecei a procurar mais informações sobre a produção de óleos alimentícios para suplementar meus poucos conhecimentos. Este artigo é o resultado desta pesquisa até agora, e vai lhe fornecer informações necessárias para que você possa selecionar alimentos e óleos mais saudáveis para sua família.

A IMPORTÂNCIA DOS ÁCIDOS GRAXOS

Os ácidos graxos são essenciais para a vida e o funcionamento normal das nossas células. A membrana celular permite a passagem dos sais minerais e das moléculas necessárias para dentro e para fora de nossas células. A membrana celular saudável dificulta a entrada na célula de substâncias químicas perigosas e de organismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Essa membrana também tem receptores químicos para os hormônios, que são os principais mensageiros do corpo. Os ácidos graxos participam de incontáveis processos químicos de nosso corpo e são utilizados como “tijolos” na fabricação de alguns hormônios.

Há dois tipos de ácidos graxos – ômega-3 e ômega-6 – que não podem ser fabricados pelo organismo, e assim precisam ser obtidos através dos alimentos. São os chamados “ácidos graxos essenciais” (EFAs, em inglês), e quando existem em quantidade suficiente no corpo são usados para fabricar os outros ácidos graxos de que precisamos.

A suplementação de EFAs na alimentação tem ajudado muitas pessoas com alergias, anemia, artrite, câncer, candidíase, depressão, pele seca, eczemas, fadiga, doença cardíaca, inflamações, esclerose múltipla, tensão pré-menstrual, psoríase, retardamento do metabolismo, infecções virais etc., e facilitado o processo de recuperação de viciados.

GORDURAS “TRANS” E PERTURBAÇÕES QUÍMICAS

Os ácidos graxos existentes na natureza apresentam ligações duplas entre os átomos com uma configuração especial chamada de “cis” pelos bioquímicos. Na ligação do tipo “cis” as moléculas se torcem de forma que os dois átomos de hidrogênio fiquem do mesmo lado da ligação dupla. Isto significa que a ligação entre os átomos é mais fraca por causa da forma irregular, o que provoca um ponto de fusão mais baixo – ou, no dialeto dos supermercados, não são sólidas à temperatura ambiente. Gorduras com ligações do tipo “trans” ou que não tenham ligações duplas (“gorduras saturadas”) são sólidas à temperatura ambiente.

Para fabricar margarina, adicionam-se átomos de hidrogênio às moléculas de gordura para que fiquem mais saturadas, elevando o ponto de fusão para que o óleo permaneça sólido à temperatura ambiente, ou seja, para que a margarina não escorra pela mesa. Este processo, chamado “hidrogenação”, exige a presença de um catalisador metálico e temperaturas em torno de 260ºC para que a reação aconteça. Assim, cerca de metade das ligações “cis” transformam-se em ligações “trans”.

A hidrogenação passou a ser muito usada nos Estados Unidos porque este tipo de óleo não se estraga nem fica rançoso tão depressa quanto o óleo comum, e assim tem uma vida de prateleira maior. Você pode deixar um cubo de margarina exposto durante anos e ele não será atacado por fungos, insetos ou roedores. A margarina é um não-alimento! Parece que só os seres humanos são idiotas o bastante para comê-la! Como a gordura da margarina é parcialmente hidrogenada (ou seja, não totalmente saturada), os fabricantes podem dizer que é “poli-insaturada” e vendê-la como alimento saudável.

Muitos outras substâncias químicas gordurosas aparecem quando os óleos são parcialmente hidrogenados. Em “Fatos que Curam, Fatos que Matam”, Udo Erasmos afirma: “A quantidade de compostos diferentes que podem surgir durante a hidrogenação parcial é tamanha que desafia a nossa imaginação… Nem é preciso dizer que a indústria não se dispõe a financiar ou divulgar estudos completos e sistemáticos dos tipos de substâncias químicas produzidos e seus efeitos sobre a saúde”1.

Erasmus também cita uma afirmação sobre a hidrogenação feita por Herbert Dutton, um dos químicos mais antigos e famosos a estudar gorduras na América do Norte. Basicamente, ele diz que, por causa dos efeitos conhecidos e desconhecidos destes subprodutos da hidrogenação, os regulamentos governamentais sobre a saúde não permitiriam que o processo fosse usado na produção de alimentos, caso tivesse sido inventado hoje em dia.

Outro “efeito colateral” da hidrogenação é deixar um resíduo de metais tóxicos, geralmente níquel e alumínio, no produto final. Estes metais são usados como catalisadores da reação, mas se acumulam em nossas células e sistema nervoso, onde envenenam o sistema enzimático e alteram as funções celulares, colocando a saúde em perigo e provocando grande variedade de problemas. Estes metais tóxicos são difíceis de eliminar sem técnicas especiais de desintoxicação, e nossa “carga tóxica” aumenta muito com pequenas exposições ao longo do tempo. Como estes elementos são cada vez mais presentes no ar, nos alimentos e na água, as doses cumulativas podem ir se somando até chegar com o tempo a níveis perigosos.

Como não existem na natureza gorduras com ligações “trans”, nosso organismo não sabe lidar com elas, que acabam agindo como venenos em reações celulares importantes. O corpo tenta usá-las como usaria o tipo “cis”, e elas acabam indo parar na membrana celular e em outros lugares onde não deveriam estar. *

* Correção do texto a partir de mensagem da leitora do PORTAL VERDE:

Nos últimos anos, foram feitas medições de gorduras “trans” na membrana das células vermelhas do sangue humano, e o nível chegou a 20%, quando deveria ser zero. Foram usadas células vermelhas porque são fáceis de conseguir, mas podemos supor que a maioria das outras membranas celulares do corpo também contêm estas gorduras antinaturais.

Os ácidos graxos com ligações “trans” presentes na membrana celular enfraquecem a estrutura da membrana e sua função protetora. Eles alteram a pasagem normal de sais minerais e outros nutrientes pela membrana e permitem que micróbios patogênicos e substâncias químicas tóxicas penetrem na célula com mais facilidade. O resultado: células doentes e enfraquecidas, mau funcionamento do organismo e um sistema imunológico exausto – em resumo, queda da resistência e aumento do risco de doenças.

As gorduras “trans” também podem desorganizar o mecanismo normal do organismo de eliminação do colesterol. O fígado costuma lançar o excesso de colesterol na bile e enviá-lo para a vesícula, que se esvazia no intestino delgado logo abaixo do estômago. As gorduras “trans” bloqueiam a conversão normal do colesterol no fígado e contribuem para elevar o nível de colesterol no sangue. Também provocam um aumento da densidade de lipoproteínas de baixa densidade (LDLs), considerada um dos principais causadores de aterosclerose (endurecimento das artérias). Além disso, as gorduras “trans” reduzem a quantidade de lipoproteínas de alta densidade (HDLs), que ajudam a proteger o sistema cardiovascular dos efeitos nocivos das LDLs. As gorduras “trans” também aumentam o nível de apolipoproteína A, uma substância do sangue que é outro fator de risco das doenças cardíacas. Na verdade, já se demonstrou que as gorduras “trans” provocam efeitos piores o que as gorduras animais saturadas. Outro efeito negativo das gorduras “trans” na dieta é o aumento dos hormônios pró-inflamatórios do corpo (prostaglandina E2) e a inibição dos tipos anti-inflamatórios (prostaglandinas E1 e E3). Esta influência indesejada das gorduras “trans” sobre o equilíbrio das prostaglandinas pode deixar você mais vulnerável a condições inflamatórias que vão custar a sarar. As prostaglandinas também controlam muitas funções metabólicas. Quantidades mínimas delas podem provocar grandes mudanças nas reações alérgicas, na pressão sanguínea, na coagulação, nos níveis de colesterol, na atividade hormonal, na função imunológica e na resposta inflamatória, para citar apenas algumas de suas ações.

Muitos destes problemas causados pelas gorduras “trans” já são conhecidos, ou ao menos alvo de suspeitas, há 15 ou 20 anos, mas foram amplamente ignorados nos Estados Unidos. Na Europa, o uso de gorduras “trans” em alimentos é restrito, e alguns países só permitem a presença de 0,1% de ácidos graxos “trans”. Pelo contrário, as margarinas americanas podem conter até 30% ou 50%! É claro que a indústria alimentícia nega que isto seja um problema. Mas continuam aumentando as provas científicas de que as gorduras “trans” contribuem para as doenças cardíacas e possivelmente para outros tipos de doença. Mesmo a conservadora “Harvard Health Letter” refere-se a elas como “o novo inimigo”2.

INTERESSES DISFARÇADOS

Segundo o dr. Russel Jaffe, conhecido médico pesquisador, os criadores de porcos não oferecem gorduras “trans” a seus animais porque os porcos morrerão se as comerem. Quando o dr. Jaffe procurou o Departamento de Agricultura, descobriu que os técnicos sabiam disso, mas não estavam interessados nos possíveis efeitos sobre humanos, já que esta última área não estava sob sua jurisdição. A secretaria americana de alimentos e remédios (FDA) também nada fez a respeito. O fato de que a indústria alimentícia conseguiu esconder tão bem estes fatos do conhecimento público mostra o seu poder político junto aos círculos governamentais e científicos.

A indústria alimentícia financia muitas pesquisas. Os pesquisadores sabem que é fácil prever o resultado de um estudo: basta conhecer quem está financiando. Desta forma, é tolice aceitar cegamente as notícias da imprensa sobre “as últimas pesquisas” sem considerar quem pagou por elas. Há algumas fundações por aí, de aparência bastante científica, que na verdade são organizações de fachada da indústria alimentícia3.

A GORDURA EM NOSSA DIETA

A margarina não é o único produto de supermercado a conter quantidade significativa de gorduras “trans”. Qualquer “alimento” que tenha as palavras “hidrogenado” ou “parcialmente hidrogenado” no rótulo contém gorduras “trans” e deveria ser evitado. Você vai ficar surpreso ao descobrir quantos produtos na sua cozinha contêm gorduras “trans”. Entre eles estão pão, biscoitos e salgadinhos, óleos vegetais refinados e manteiga de amendoim. A maioria das marcas de manteiga de amendoim (muito usada nos Estados Unidos) contém açúcar ou xarope de milho, que exigem demais do pâncreas e são facilmente convertidos em gordura pelo corpo.

Assim, leia sempre o rótulo dos alimentos industrializados e evite os que contenham óleo ou gordura hidrogenada ou parcialmente hidrogenada! Evite também produtos que contenham óleo de semente de algodão. O algodão não é um produto alimentício e é tratado com pesticidas altamente tóxicos – parte dos quais vai acabar no óleo. Segundo o dr. Jaffe, o óleo de semente de algodão também contém ácidos graxos tóxicos semelhantes aos existentes no óleo de semente de mostarda, que foi usado há 30 anos e acusado de provocar várias mortes antes de ser retirado do mercado. Esses ácidos graxos provocaram doenças quando oferecidos a cães e porcos. O óleo de semente de algodão costuma ser usado para fritar batatas e é encontrado em vários alimentos industrializados.

Hoje em dia, a opinião predominante entre os médicos é de que as gorduras são nocivas e devem ser limitadas em nossa dieta. Ao levar em conta o tipo de gordura que costuma ser consumido nos Estados Unidos, esta talvez seja uma boa idéia. Mas vários estudos mostraram que a quantidade de gordura não é tão importante quanto a sua qualidade e o equilíbrio entre os vários tipos de gordura. Na verdade, os ácidos graxos essenciais (já mencionados) ajudam a controlar os tipos de colesterol fabricados pelo corpo e ajudam a evitar doenças cardíacas. Assim, seria mais prudente reduzir em nossa dieta as gorduras saturadas e as gorduras “trans” antinaturais e aumentar as gorduras essenciais. Muitos cientistas agora defendem esta mudança de ênfase.

O Dr. Edward Siguel é um pesquisador premiado que foi convidado a estudar os ácidos graxos no Framingham Cardiovascular Offspring Study. Ele publicou recentemente um livro chamado “Ácidos Graxos Essenciais na Saúde e na Doença”4 . O Dr. Siguel desenvolveu um teste de sensibilidade para determinar a quantidade dos vários ácidos graxos encontrados em seres humanos, e descobriu uma relação bem definida entre gorduras “trans” e doença cardíaca. Ele também descobriu que muitas pessoas com doenças cardíacas têm baixo nível de ácidos graxos essenciais. Numa palestra no Segundo Simpósio Anual de Medicina Funcional em 1994, ele afirmou que a insuficiência de ácidos graxos essenciais pode estar por trás de muitas doenças crônicas comuns em sociedades ocidentais. Ele também chamou a atenção para o fato de que dietas pobres em gordura e não baseadas em alimentos integrais podem ser nocivas: “Indivíduos que mantenham peso normal ou baixo comendo alimentos industrializados de pouco valor calórico e com baixo nível de gordura, como cereais, pães e massas vendidos em supermercados, correm sério risco de insuficiência de ácidos graxos essenciais (…) associada ao uso de gorduras hidrogenadas, levando a níveis elevados de ácidos graxos ‘trans’ na circulação sanguínea (…)”

O leite de muitas mães americanas também apresenta um excesso de gorduras “trans” e baixo nível de ácidos graxos ômega-3. O dr. Donald Rudin, em seu livro “O fenômeno ômega-3”, afirmou: “O leite das mães americanas costuma ter apenas entre um quinto e um décimo do conteúdo de ômega-3 do leite que as mães nigerianas bem nutridas de sementes e castanhas dão a seus filhos.”5

A Divisão de Pesquisa Nutricional da Health Canada publicou recentemente um estudo esclarecedor. Os pesquisadores analisaram o leite de 198 mães em aleitamento em todo o Canadá, e descobriram que os ácidos graxos “trans” respondiam em média por 7,2% do conteúdo total de ácidos graxos, sendo que a faixa de resultados ia de 0,1% a 17,2%. A análise posterior dessas gorduras “trans” mostrou que sua origem principal eram os óleos vegetais parcialmente hidrogenados (ou seja, margarina). Os pesquisadores também perceberam que a elevação do nível dessas gorduras “trans” aconteceu à custa dos ácidos graxos essenciais, colocando assim o bebê sob um risco duplo num período crucial de seu desenvolvimento6.

Os dois tipos de ácidos graxos essenciais são necessários para o desenvolviemento correto dos tecidos do feto e do bebê, especialmente o sistema nervoso. Segundo John Finnegan, em “Fatos sobre a gordura”, os ômega-3 afetam especialmente as partes do cérebro ligadas à capacidade de aprendizado, à ansiedade ou depressão e à percepção auditiva e visual. Também ajudam a equilibrar o sistema imunológico7. Um estudo feito em 1991 pela Clínica Mayo com 19 mulheres grávidas “normais”, alimentadas com dietas

“normais”, mostraram que todas elas tinham deficiência de ácidos graxos ômega-3 e, em menor escala, dos ômega-6. Os pesquisadores recomendaram a suplementação de ácidos graxos ômega-3 em todas as gestações, e que as mulheres evitassem gorduras refinadas e hidrogenadas durante a gravidez8.

Um estudo publicado na Revista Americana de Nutrição Clínica mostra uma diferença dramática entre as taxas de doenças cardíacas das populações do norte e do sul da Índia9. Os do norte comiam carne e tinham alto nível de colesterol. Sua principal fonte de gordura na alimentação era o ghee (manteiga clarificada). Os do sul eram vegetarianos e tinham níveis de colesterol muito mais baixos. A “sabedoria” atual diria que os vegetarianos teriam a menor taxa de doenças cardíacas, mas na verdade o contrário é que era verdade. Os vegetarianos tinham uma taxa 15 vezes maior de doenças

cardíacas do que a de seus patrícios do norte. Qual a razão de diferença tão surpreendente? Além da oposição entre carne e vegetais, a maior diferença na dieta era que os do sul haviam substituído o ghee tradicional (um alimento de verdade) pela margarina e pelos óleos vegetais refinados e poli-insaturados. Vinte anos depois, a revista médica britânica “The Lancet” observou um aumento das mortes por ataque cardíaco entre os indianos do norte10. Eles também haviam substituído o ghee de suas dietas pela margarina e pelos óleos vegetais refinados.

Há cem anos, as doenças cardíacas eram quase desconhecidas. Hoje, dois terços dos cidadãos americanos desenvolvem doenças do coração. É claro que aconteceu algo de errado na forma como vivemos, e um dos principais fatores pode bem ser a introdução de óleos super-refinados, superprocessados e desvitalizados.

Outros estudos sustentam esta idéia. Por exemplo, uma pesquisa da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard indicou que a ingestão de óleos vegetais parcialmente hidrogenados pode aumentar o risco de ataque cardíaco11. A pesquisa do dr. Siguel também deu mais peso à teoria de que os ácidos graxos “trans” da dieta são um fator de risco nas doenças do coração12.

Um relatório do Conselho de Nutrição da Dinamarca afirmou que vários estudos sugerem que os ácidos graxos “trans” da margarina são tão ou mais responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose quanto os ácidos graxos saturados. Eles recomendam a redução do conteúdo de ácidos graxos “trans” em todas as margarinas dinamarquesas a no máximo 5% (era então de 0 a 30%)13.

Outro estudo feito em Boston pelo Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard analisou a dieta de 239 pacientes internados em hospitais da cidade depois de seu primeiro ataque cardíaco, e comparou-a com a dieta de um grupo de controle de 282 pessoas saudáveis. Depois de dar o desconto dos vários estilos de vida, descobriram que a ingestão de margarina associava-se de forma significativa com o risco de infarto do miocárdio14.

Uma estudo da Escola de Medicina de Harvard acompanhou mais de 85.000 mulheres num período de oito anos. Os pesquisadores compararam a dieta das que desenvolveram doenças cardíacas com a das que nada tiveram. Descobriram que as principais fontes de gorduras “trans” na alimentação, como a margarina, estavam associadas de forma significativa com o risco maior de doença coronária e cardíaca15.

PROBLEMAS DO PROCESSAMENTO COMERCIAL

Os óleos vegetais refinados e poli-insaturados tornaram-se muito populares nos Estados Unidos desde que a onda anticolesterol começou há muitos anos e os médicos passaram a promover seu uso. Quando preparados e utilizados da forma correta, alguns desses óleos são fontes saudáveis de ácidos graxos essenciais. Infelizmente, o processo padrão de refino industrial destrói os ácidos graxos essenciais e cria altos níveis de ácidos graxos “trans”, ao mesmo tempo que remove importantes elementos e agentes protetores naturais, como sais minerais e vitamina E.

Em “Fatos sobre gordura” e “Gorduras que curam, gorduras que matam”, John Finnegan e Udo Erasmus descrevem o processo comum de refino comercial dos óleos vegetais. Começa com sementes que podem conter alto nível de agrotóxicos (pesticidas e herbicidas). As sementes são esmagadas e sujeitas a uma série de tratamentos químicos em temperaturas acima de 270°C. Esses tratamentos incluem o uso de solventes tóxicos, soda cáustica, preservantes e anti-espumantes, e resultam na destruição dos ácidos graxos essenciais, na perda de vitaminas e sais minerais e na formação de ácidos graxos “trans” e radicais livres. Este é exatamente o contrário do que seria desejado. Tudo isso em nome de uma vida mais longa na prateleira e da aceitação do consumidor (o que sobra parece limpo e bonito!). Isso também acontece com a gordura dos alimentos industrializados, ou seja, quase tudo que vem numa lata ou numa caixa. Lembre-se de ler as letras miúdas dos rótulos!

Segundo Finnegan e Erasmus, os óleos “prensados a frio” encontrados nas lojinhas naturais não são garantia de qualidade. O processo usado ainda gera temperaturas acima de 90°C, e a maioria desses óleos são refinados e desodorizados com o mesmo processo destruidor de nutrientes usados nos óleos comerciais de “supermercado”. Tome cuidado com inscrições como “orgânico” e “natural”, porque nos Estados Unidos já houve casos de interpretações fraudulentas destas palavras. Algumas empresas foram flagradas mentindo sobre a origem de suas sementes e usando sementes comerciais comuns em vez de sementes realmente orgânicas (no sentido de não terem agrotóxicos etc.). Houve até mesmo casos de empresas que simplesmente reembalaram óleos e maioneses comuns com um rótulo de “natural” para cobrar preços mais altos pela mercadoria. Finnegan menciona duas agências confiáveis de certificação nos Estados Unidos: FVO (Farm Verified Organic – orgânico verificado na fazenda) e OCIA (Organic Crop Improvement Association – Associação de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica). Ele conta que só duas empresas seguem seus critérios na produção de óleos naturais: a Omega Nutrition, em Ferndale, e Flora Inc., em Lynden, ambas no estado de Washington. Ele também entrou em contato com um dos mais conhecidos fabricantes de óleos “naturais” do país, que não quis discutir os métodos de processamento de óleo e não lhe permitiu visitar a fábrica.

É preciso notar que, além do calor, a luz e o oxigênio provocam sérios danos aos óleos. Segundo Erasmus, a luz destrói o óleo mil vezes mais depressa que o oxigênio, por isso é importante comprar óleos não refinados embalados em garrafas pretas à prova de luz. O oxigênio pode ser extraído da garrafa e substituído por um gás inerte, como nitrogênio ou argônio. A Omega Nutrition embala seus óleos desta forma. Os óleos Flora são embalados em vidro escuro, que reduz a quantidade de luz mas não a elimina. Embora sejam muito mais caros, esses óleos valem o que custam, levando em conta os fatos

apresentados neste artigo.

O EQUILÍBRIO ENTRE OS ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS E NOSSA SAÚDE

Os dois grupos de ácidos graxos essenciais – ômega-3 e ômega-6 – recebem este nome por causa de sua configuração molecular e do lugar onde aparece a primeira ligação “insaturada” na cadeia de átomos de carbono da molécula. Os óleos ômega-6 são encontrados principalmente nos vegetais e nas sementes. São convertidos em prostaglandinas E1 (já mencionadas) depois de vários processos químicos. A maioria das pessoas ingere quantidade suficiente desses ácidos graxos, mas algumas têm dificuldade de convertê-los nas prostaglandinas ativas. Este bloqueio costuma ser causado pelo excesso de gorduras “trans”, por medicamentos anti-inflamatórios como aspirina ou Tylenol e por deficiências de vitamina B6 ou de magnésio. A insuficiência de ácidos graxos ômega-6 pode provocar problemas no sistema auto-imune, dor e caroços nos seios, eczema, hiperatividade em crianças, hipertensão, inflamações e tensão pré-menstrual. A suplementação alimentar com óleo de sementes de borragem, prímula ou uva pode compensar o bloqueio e fornecer os elementos essenciais para a fabricação da prostaglandina necessária. O dr. Siguel descobriu que a deficiência de ômega-3 é mais comum em nossa dieta ocidental. Por causa da industrialização dos alimentos e da preferência cultural, a dieta ocidental média contém apenas um sexto da quantidade de ácidos graxos ômega-3 necessários para o funcionamento saudável do organismo – em vez do equilíbrio de 100 anos atrás. Tudo indica que a deficiência de ácidos graxos ômega-3 está associada à artrite e a problemas nas articulações, à síndrome do intestino irritado, à tensão pré-menstrual, a problemas de próstata, a várias afecções de pele e à depressão, às fobias e à esquizofrenia.

As duas principais fontes de ômega-3 são o óleo orgânico de sementes de linhaça e de peixes de água fria (como bacalhau, sardinha, atum, truta e salmão). Esses peixes não deveriam ser fritos, por causa do efeito da alta temperatura e da resultante emissão de radicais livres. Diferentemente da galinha e do peru, os peixes de água fria deveriam ser comidos com a pele, já que é ali que há a maior concentração de gorduras desejáveis.

Muita gente se preocupa com o consumo freqüente de peixes, por causa da poluição química e de metais pesados no oceano. Os peixes predadores concentram estes poluentes em seu tecido gorduroso, mas os peixes oceânicos costumam ser menos atingidos que os peixes costeiros. É melhor evitar peixes vindos de águas próximas a áreas agrícolas, industriais ou de mineração, por causa do alto nível de ingestão de substâncias tóxicas. Peixes de criadouro são alimentados com ração industrial, e também devem ser evitados; não são saudáveis e têm níveis insignificantes de ácidos graxos ômega-3. Quando processado de forma apropriada, o óleo de sementes de linhaça tem a maior concentração de ácidos graxos ômega-3, ou seja, 57%. Os ômega-3 também são encontrados em alguns outros óleos vegetais não-refinados, como os de soja e canola, mas em quantidade muito menor. O óleo de linhaça é muito sensível e deve ser processado em condições controladas (a frio, sem luz nem oxigênio), embalado com nitrogênio em garrafas escuras para evitar a oxidação e transportado e exposto sob refrigeração.

Embora todos os óleos não-refinados e insaturados devessem ser processados, embalados e distribuídos desta forma, a grande maioria deles não é. As companhias acima mencionadas usam estes métodos especiais, e é possível comprar seus óleos com alguma certeza de estar adquirindo um produto saudável. Temos usado os óleos das duas companhias nos últimos anos e estamos muito satisfeitos. Embora mais complicados e caros, algum dia esses métodos terão um papel muito importante na redução de várias doenças degenerativas, muito mais caras a longo prazo, especialmente em termos de sofrimento e perda de potencial humano.

Os alimentos mais saudáveis são cultivados organicamente e devem ser consumidos na forma mais próxima de seu estado natural. Nos Estados Unidos, é possível encontrar sementes e grãos de boa procedência nas cooperativas de alimentos naturais. O consumo de sementes e alimentos cultivados organicamente é recomendado para minimizar a ingestão de produtos químicos e otimizar o conteúdo nutritivo. Ao consumir alimentos integrais, absorvemos uma gama complexa de nutrientes que trabalham juntos de forma natural na intrincada química que mantém nosso corpo funcionando, mas muitos desses nutrientes naturais se perdem no processamento industrial.

Mesmo os maiores esforços humanos para produzir alimentos e óleos industrializados saudáveis acabam ficando aquém das conquistas da Natureza. Os melhores óleos são fornecidos pela natureza, embalados da melhor forma possível para evitar a oxidação de seu precioso conteúdo. Sementes de linhaça orgânicas recém-moídas contêm óleo fresco (protegido pela película) e sua fibra é a fonte mais rica das substâncias chamadas “ligninas”, possuidoras de potentes propriedades anticâncer, antibacterianas,

antfúngicas e antivirais. A fibra da linhaça tem de 100 a 800 vezes mais ligninas do que as outras fontes de fibras. Esta é uma forma barata e saborosa de assegurar a ingestão adequada de ácidos graxos ômega-3 (ver as instruções abaixo). Se preferir, você pode comprar (nos Estados Unidos) óleo de linhaça de boa qualidade em garrafas ou cápsulas. Veja apenas se descobre como o óleo é processado! As empresas Flora e Omega Nutrition fornecem óleo de linhaça de boa qualidade em garrafas e cápsulas.

AS VELHAS E BOAS ALTERNATIVAS SAUDÁVEIS

Há várias outras formas de melhorar seu equilíbrio de ácidos graxos e evitar a armadilha das gorduras “trans”:

Coma sementes de linhaça recém-moídas todos os dias. Coloque três colheres de sopa de sementes num liqüidificador ou moedor de café para obter cerca de uma colher de óleo (misturado com a fibra). Isto se aproxima da dose diária recomendada de óleo omega-3 para uma pessoa média. Pode ser misturado com cereais, batido até virar uma pasta ou servido com iogurte. Você pode também misturar com suco de maçã morno (quente, não!) e juntar pedacinhos de banana ou outra fruta para obter um prato saboroso e nutritivo que satisfaz e fará maravilhas pelo funcionamento do intestino! E coma as sementes moídas dentro de no máximo 10 a 15 minutos, para reduzir o problema da oxidação. Mas tome cuidado: em testes alérgicos encontrei várias pessoas (como minha esposa e eu) alérgicas ao óleo de linhaça, e outras alérgicas às sementes de psyllium, geralmente usadas por causa de seu conteúdo de fibras.

Use manteiga em vez de margarina ou gordura vegetal hidrogenada para cozinhar. A manteiga também tem seus problemas, como resíduos de hormônios e agrotóxicos, mas é um alimento integral. Alimentos integrais têm nutrientes que atuam sobre sua própria gordura se ingeridos com moderação. Se quiser usar manteiga, prefira a que for produzida organicamente.

Uma alternativa ainda melhor é o ghee orgânico, ou manteiga clarificada, como mencionado anteriormente. Ghee é a gordura culinária que os cozinheiros indianos e franceses têm em mais alta conta. Tem um aroma agradável e não queima, não solta fumaça nem desenvolve compostos tóxicos ao ser aquecida.

A gordura de coco orgânica e não refinada é outra alternativa à manteiga comum em sua dieta. A empresa Omega Nutrition vende este produto. No entanto, a maioria dos outros produtos com gordura de coco são hidrogenados. O óleo de coco tem sido sujeito a uma campanha difamatória pelos fabricantes de óleos vegetais comerciais, mas as pesquisas que citam usaram óleo de coco hidrogenado, o que pode ter distocido os resultados.

Use azeite de oliva ou uma mistura meio a meio de ghee e azeite de oliva. Não frite nem refogue com óleos leves “poliinsaturados”, como os de açafrão, girassol ou milho. Com a alta temperatura eles se oxidam rapidamente, formando radicais livres. Os radicais livres são moléculas muito reativas que podem penetrar em suas células e dar início a reações em cadeia prejudiciais que deixam para trás vários danos, como alterações do código genético (DNA) e formação de células cancerosas. Muitos consideram que os radicais livres têm papel predominante nas doenças degenerativas.

Embora não haja quase nenhum ácido graxo essencial no óleo de oliva, ele é rico em ácidos graxos “monoinsaturados” e não se oxida tão facilmente. Use um azeite “extra-virgem de primeira extração, prensado a frio”, de preferência de cor esverdeada e com algum sedimento no fundo, o que costuma indicar pouco processamento. Muitas lojas naturais nos Estados Unidos vendem este tipo de azeite.

Se você for alérgico a leite, sempre se pode substitur a margarina ou a manteiga das receitas por uma mistura meio a meio de xarope de maçã (suco de maçã fervido por muito tempo até virar quase uma geléia, comum nos Estados Unidos) e óleo de açafrão, girassol ou canola orgânico e não refinado. Testamos em massas de torta e bolos e o resultado foi ótimo. Tentamos substituir por óleo de canola sozinho, mas a massa ficou meio seca e esfarelenta.

Experimente manteiga de amendoim não hidrogenada, encontrada em algumas lojas naturais nos Estados Unidos. A parte sólida se separa, e o óleo flutua no alto da embalagem. A melhor marca é, provavelmente, Arrowhead Mills. Eles secam ao sol os amendoins cultivados organicamente, para evitar o fungo que produz a aflatoxina, que é tão tóxica quanto o nome sugere. A maioria dos produtos de amendoim comerciais contêm aflatoxina, além de resíduos de agrotóxicos. Manteigas de amêndoa ou nozes contêm gorduras mais saudáveis do que a manteiga de amendoim, sem o problema do fungo. Nos Estados Unidos, elas são vendidas em lojas e cooperativas naturais.

Prefira o óleo que vem em garrafas seladas e evite os óleos vendidos a granel nas cooperativas, já que costumam estar rançosos (novamente os radicais livres). O óleo rançoso tem gosto amargo quando você pinga uma gota na língua, e não deve ser consumido.

Sempre refrigere o óleo depois de aberto. É melhor refrigerar os óleos não refinados logo que você comprá-los, para prolongar sua vida na embalagem. Se não estiverem em garrafas opacas, guarde-os ao abrigo da luz.

Quanto mais você ingerir gorduras insaturadas como óleos vegetais e óleos de peixe (EPA/DHA ômega-3), mais vai precisar de proteção antioxidante contra os danos dos radicais livres. Se você toma suplementos de óleo de peixe ou de prímula, ou usa óleos poli-insaturados, tome mais vitamina E. A dose diária recomendada de vitamina E fica entre 300 e 400 UI por dia, e provavelmente a melhor forma de ingeri-la é através de “tocoferóis mistos”.

Muitos estudos demonstram sua eficácia na redução do risco de doenças cardíacas, artrite e outras doenças relacionadas com radicais livres. Como a vitamina C é empregada para regenerar a vitamina E “usada”, um suplemento de 500 a 1.000 mg de vitamina C por dia também é uma medida prudente.

Os óleos e suplementos mais caros não poderão compensar a dieta e o estilo de vida pouco saudáveis. Use o bom senso e consulte um profissional de saúde consciente da importância da nutrição quando se sentir preocupado com sua saúde. Os livros do dr. Dean Ornish16 e do dr. John McDougall17 oferecem muitas idéias excelentes de dieta e estilo de vida, e recomendo-os como fonte de informações dietéticas básicas, embora seus programas prescrevam uma ingestão baixa demais de gorduras. Assim, para assegurar a ingestão adequada de ácidos graxos essenciais, você vai precisar de algumas nozes e sementes orgânicas, além de óleos de boa qualidade (como os que mencionamos acima) para suplementar essas dietas de baixo nível de gordura.

AUMENTANDO A CONSCIÊNCIA PÚBLICA

Ainda há gente teimosa na comunidade “científica”, em especial os que são funcionários ou patrocinados pela indústria alimentícia, que alegam não haver provas suficientes de que as gorduras “trans” são perigosas, e citam estudos que justificam sua opinião. Este é o jogo da “ciência” moderna, no qual estão envolvidos egos e dinheiro.

No entanto, a maioria dos estudos recentemente publicados apóia a idéia de que essas gorduras quimicamente alteradas são nocivas. Nestes casos de conflito, sempre fico do lado da Mãe Natureza; ela é mais sábia do que qualquer um de nós!

Lembre-se de que a maior parte destas informações sobre gorduras “trans” já é conhecida há muitos anos, mas a indústria conseguiu manter o tema longe dos olhos do público: este é mais um exemplo do comportamento (o comprador que se cuide) da indústria alimentícia. Agora que você já sabe, cuide-se!

Boa sorte, e boa saúde!

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Erasmus, Udo, Ph.D., Fats that Heal, Fats that Kill, Alive Books, Burnaby, BC, Canadá, 1987, 1993.

2. Harvard Health Letter, Summer 1994.

3. Jaffe, Russell, M.D., Lipids (áudio-tape), 1992.

4. Siguel, Edward, M.D., Ph.D., Essential Fatty Acids in Health and Disease, Nutrek Press, Brookline, MA, EUA, 1995.

5. Rudin, Donald, M.D., e Felix, Clara, The Omega-3 Phenomenon, Rawson, New York, EUA, 1987.

6. Lipids, Março de 1996, 31:Suppl:S27982.

7. Finnegan, John, N.D., The Facts About Fats, Celestial Arts Publishing, Berkeley, CA, EUA, 1993.

8. “Deficiency of essential fatty acids and membrane fluidity during pregnancy and lactation”, Biochemistry, Proceedings of the National Academy of Sciences, EUA, vol. 8, junho de 1991.

9. American Journal of Clinical Nutrition, 1967, 20:462-475.

10. The Lancet, 14 de novembro de 1987.

11. Circulation, janeiro de 1994, 89(1):94-101.

12. American Journal of Cardiology, 1993, 71:916-920.

13. Clinical Science, April 1995, 88(4):375-92.

14. Circulation, ibid.

15. The Lancet, março de 1993, 341(8845):581-5.

16. Ornish, Dean, M.D., Dr Dean Ornish’s Program for Reversing Heart

Disease, Ballantine Books, New York, EUA, 1990.

17. McDougall, John A., M.D., The McDougall Program, Plume (Penguin Books), New York, EUA, 1991.

* Morrison, Robert Thornton, e Boyd, Robert Neilson, Organic Chemistry,

Allyn & Bacon, Inc., Boston, EUA, 1973, 1979, 3ª ed.

Sobre o autor

O dr. Dane Roubos, B.Sc., D.C., D.A.B.C.I., estuda nutrição há 25 anos e é fisioterapeuta há 14 anos. É formado pelo American Board of Chiropractic Internists, e hoje em dia dá aulas em tempo integral no Northwestern College of Chiropractic em Minnesota. Ele se dedica a ajudar as pessoas a viverem mais perto da Terra, do espírito e da alma interior.

Extraído de Nexus Magazine, Volume 4, nº. 2 (Fevereiro-Março 1997).

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Na home page: http://www.nexusmagazine.com [onde, aliás, encontra-se muita

coisa interessante; se você lê inglês, vale a visita]

autor: Dane A. Roubos, D.C. (c)1995-97

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Fone: +1 (612) 937 5029

E-mail:76033.313@compuserve.com

Este artigo foi extraído em parte de Blazing Tattles, vol. 5, nºs. 10 e 11,

1996, e atualizado pelo autor.

Blazing Tattles!,

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CA 94019 USA.
Email: blazing@crl.com
www.best.com/~cnorman/blazing
[Nota da Beatriz: no final do texto o autor dá uns conselhos que eu preferia não seguir, como usar óleo de canola (que é transgênico e parcialmente hidrogenado) e vitaminas em cápsulas (muitas vezes sintéticas e cujo metabolismo não é o mesmo das vitaminas encontradas naturalmente nos alimentos).